Saudações, guerreiros da Luz.
Com algum trabalho e muita paciencia, consegui resgatar alguns pergaminhos do antigo Halls of Valhalla RPG, que fora destruído por "problemas técnicos" causados por seres desconhecidos em nome do "amor" e "liberdade". Este pergaminho, que trata da essência do que é um verdadeiro paladino, mostra-se particularmente relevante mesmo dois anos depois de ter sido escrito.
Eu sempre disse, a tom de
brincadeira, que para conhecermos o valor de um jogo ou sistema de fantasia
medieval, bastava vermos a forma como os mesmos descreviam a classe paladino.
Independentemente se lidamos com RPGs de mesa ou MMOs, a forma como o paladino é
descrito acaba dizendo muito sobre o lore, profundidade e riqueza de vários
aspectos do jogo em si. Essa brincadeira se provou bastante acurada nos últimos
anos, e hoje, com o lançamento iminente do famigerado One D&D, o "D&D 2024", ela se prova
mais verdadeira do que nunca.
A título de comparação, colocarei
abaixo a descrição original (em inglês, para que não haja a inevitável parcialidade
na tradução que eu poderia fazer) da classe paladino como aparece em dois
livros de RPG publicados recentemente, e depois, a descrição presente no
documento oficial de One D&D e na versão original de D&D 2024. Em cada ponto, destacarei alguns elementos
importantes nas descrições, e depois, farei uma breve análise das mesmas.
“A paladin swears to uphold justice and righteousness, to stand with
the good things of the world against the encroaching darkness, and to hunt the forces of evil wherever they lurk.
Different paladins focus on various aspects of the cause of righteousness, but
all are bound by the oaths that grant them power to do their sacred work.
Although many paladins are devoted to gods of good, a paladin’s power comes as
much from a commitment to justice itself as it does from a god.
Paladins train for years to learn
the skills of combat, mastering a variety of weapons and armor. Even so, their martial skills are secondary to the
magical power they wield: power to heal the sick and injured, to smite the
wicked and the undead, and to protect the innocent and those who join them in
the fight for justice.
Almost by definition, the life of
a paladin is an adventuring life. Unless a lasting injury has taken him or her
away from adventuring for a time, every
paladin lives on the front lines of the cosmic struggle against evil.
Fighters are rare enough among
the ranks of the militias and armies of the world, but even fewer people can
claim the true calling of a paladin. When they do receive the call, these
warriors turn from their former occupations and take up arms to fight evil.
Sometimes their oaths lead them into the service of the crown as leaders of
elite groups of knights, but even then their
loyalty is first to the cause of righteousness, not to crown and country.
Adventuring paladins take their work seriously. A delve into an
ancient ruin or dusty crypt can be a quest driven by a higher purpose than the
acquisition of treasure. Evil lurks in dungeons and primeval forests, and even
the smallest victory against it can tilt the cosmic balance away from oblivion”.
Aqui temos uma descrição rasa,
mas suficientemente clara sobre o que é um paladino. Ela não é completa como a
de D&D 3ª Edição ou mesmo como a do AD&D, mas especifica que o paladino
é um indivíduo que luta por justiça, mantém os ideais de retidão em seu
comportamento e focam-se na proteção dos inocentes, ajuda aos feridos e
destruição das forças do mal. Em relação à fonte de seus poderes, fica
especificado que os mesmos vêm tanto do seu comprometimento com a causa da
justiça quanto de um Deus alinhado com as forças do Bem. Como tudo em D&D 5ª
edição, fica colocado à disposição do jogador uma enorme quantidade de poder,
mas poucas responsabilidades sobre o que fazer com ele. Ainda assim, sem explicitar
claramente o que ocorre quando um paladino age os valores norteadores da
classe, é possível entender que ele é um bom indivíduo, e que deve fazer o bem.
PLAYER’S HANDBOOK DE CASTLES
& CRUSADES 7ª Edição:
“In the constant battle between good and evil, a select few, through their selfless devotion, courage,
nobility of spirit and unyielding faith, rise to the forefront of the
struggle.
These holy warriors strike terror
in the hearts of evil creatures, and inspire others to greater good. The paladin’s consistency and strength
knows only the limits of their deity and code.
The paladin is a holy warrior chosen for adherence and absolute devotion to a deity or similar holy cause. Some are trained in all the arts of combat, serving in the vanguard of many wars and movements. Their belief in the tenets of their deity gives them strength and divine powers beyond those of other warriors. A paladin’s code requires them to respect legitimate authority, act with honor, help those in need and punish those that harm or threaten innocents. They can serve priests, temples, religious houses or other religious authorities, but obey only one calling.
The paladins serve their code alone. They are defined by their actions,
and their actions are dictated by their code. These holy warriors are driven by virtue, courage, nobility and the
quest to combat evil in all forms. They ride for no master but their deity or
cause. The greater good guides their
actions, and victory is its own honor. Paladins fight on lonely
battlefields and protect the weak. These
warriors fight and die for the greater good; often unsung, alone and beyond the
reach of succor.
Though paladins are often maligned
for their zealous actions, or feared for their powers, all hold them in high
regard, for they wage an unflagging war against evil. A paladin’s power flows from
strength of will and the ability to project divine power against the enemy. Their
purpose, if misunderstood by many, is quite clear to them, and always guides
their actions. They are servants of the law,
and are bound to their code forever. They serve the greater good and always
place it above all else.
Every deity or pantheon has a
moral code that dictates what is acceptable on the battlefield. A paladin’s
weapons of choice are generally those of the paladin’s deity or of a knightly
sort, for paladins eschew cowardly combat and believe facing one’s enemy in
battle is the highest honor. They never use weapons associated with thieves or
the cowardly, and generally refuse to use ranged weapons, though some of them
are not averse to using them if absolutely necessary.
Paladins never knowingly associate with evil characters under any
circumstances. A paladin ends all associations with those who consistently
offend their moral code or refuse to help in the causes the paladin considers
worthy. A paladin who ceases to perform
his duties or strays from the path of righteousness, who wilfully commits an
evil act or who grossly violates the code of conduct loses all abilities,
including the service of the paladin’s divine mount. The character is outcast and cursed, and no longer advances in strength
or power. Only by atoning for these violations of the code may such a paladin regain
the status and powers.
ALIGNMENT: Lawful good”
Desnecessário comparar a riqueza
de detalhes na descrição da classe apresentada em D&D 5ª Edição e Castles
& Crusades. Em minha opinião, mesmo considerando as “pedras fundamentais”
do AD&D e D&D 3ª Edição, esta é a melhor descrição da classe Paladino
que já foi escrita em livros de RPG. Ela deixa extremamente claro o que é um
paladino, como ele deve se comportar, com quem ele pode se associar, de onde
vêm seus poderes e o que acontece se ele se desviar de seu caminho. As virtudes
do paladino são citadas de forma bastante enfática: Devoção, Coragem, Altruísmo, Nobreza
de Espírito e... Inabalável Fé. Eles são guerreiros sagrados, servos dos
deuses, ligados a um forte código moral. Obrigatoriamente, devem ser Leais e
Bons, porque, ao mesmo tempo que são servos da ordem, devem obrigatoriamente
colocar o bem maior em primeiro lugar, acima de tudo. Esta tão simples menção, presente na descrição de C&C, era algo que faltava em D&D 3ª Edição, e que
resolveria todos os conflitos oriundos tanto da confusão do arquétipo “leal e
estúpido” quanto do fanático, desvios comuns na classe quando a mesma é interpretada
por jogadores inexperientes ou mestres e desenvolvedores que não
compreendem o significado do alinhamento Leal e Bom). Seria possível escrever
um pequeno livro apenas analisando essa descrição da classe, e como ela explica
magistralmente o que é um paladino. Um verdadeiro paladino. Um detalhe
fascinante nessa descrição é a frase abaixo:
“These warriors fight and die for the greater good; often unsung, alone
and beyond the reach of succor”
“Estes guerreiros lutam e morrem
pelo bem maior; frequentemente sem ser mencionados em canções, sozinhos e além
de socorro”. Aqui fica claro que paladinos não são “legais” ou “glamorosos”.
Suas vidas são extremamente difíceis, e completamente dedicadas ao bem maior.
Simplesmente brilhante em minha humilde opinião.
Agora que analisamos uma
descrição medíocre e a melhor descrição já feita da classe, vejamos a pior que
já foi escrita em toda a história de D&D:
"Paladins are
united by their oaths to stand against
the forces of annihilation and corruption. Whether sworn before a god’s
altar, in a sacred glade before nature spirits and fey beings, or in a moment
of desperation and grief with the dead as the only witnesses, a Paladin’s oath is a powerful bond. It is a
source of power that turns a devout warrior into a blessed champion. A Paladin swears to stand against corrupting
influences and to hunt the forces of ruin wherever they lurk. Different Paladins focus on various aspects
of these causes, but all are bound by the oaths that grant them power to do
their sacred work. Paladins train to learn the skills of combat, mastering
a variety of weapons and armor. Even so, their
martial skills are secondary to the magical power they wield—power to heal the sick
and injured, to smite their foes, and to protect the helpless and those who
fight at their side. Almost by definition, the life of a Paladin is an
adventuring life, for every Paladin
lives on the front lines of the cosmic struggle against annihilation.
Fighters are rare enough among the ranks of a world’s armies, but even fewer
people can claim the calling of a Paladin. When they do receive the call, these
blessed folk turn from their former occupations and take up arms and magic.
Sometimes their oaths lead them into the service of the crown as leaders of
elite groups of knights, but even then, their loyalty is first to their sacred
oaths, not to crown and country. Adventuring Paladins take their work
seriously. A delve into an ancient ruin or a dusty crypt can be a quest driven
by a higher purpose than the acquisition of treasure. Malign forces lurk in
dungeons, and even the smallest victory
against them can tilt the cosmic balance away from oblivion".
Olhos um pouco
atentos podem perceber que a descrição presente em One D&D teve como base a
descrição do Livro do Jogador de D&D 5ª edição. Dada a proposta de One
D&D, não há nada inesperado aqui; uma descrição rasa feita com base em
outra que era um pouco menos rasa. No entanto, um olhar um pouco mais cuidadoso
mostra que TODAS as menções a Bem, Mal, Ordem ou Justiça foram removidas da
descrição. Os paladinos de One D&D agora lutam contra a “corrupção” e “aniquilação”,
dois conceitos extremamente vagos e subjetivos. Para nós, corrupção significa a
relativização do mal, exposição de crianças e ideologias subversivas e
distorção da ideia de certo e errado. Para os servos de Gronark, cultistas do
Pacto das Trevas e equipe diretiva da Wizards, corrupção remete a valores
familiares, religião, tradição, responsabilidade e caráter. O paladino de One
D&D não é um guerreiro sagrado (holy warrior), mas sim, um guerreiro “abençoado”
(blessed warrior). Se a diferença parece sem importância à primeira vista,
basta nos lembrar que Warloks/Bruxos são também “abençoados” por seus patronos
abissais e demoníacos. Enquanto a descrição do paladino de D&D 5 era
propositalmente vaga em aspectos importantes, e de D&D 2024 deixa bem claro
os valores que defende e aqueles dos quais está gritantemente fugindo.
Se a subversão
do paladino de D&D 2024 ainda está difícil de ver, recomendo que façam uma
última reflexão: Peguem homens como Adolf Hitler, Joseph Stalin e Mao Tsé-tung,
três dos maiores assassinos que o mundo já viu. Todos eles se enquadrariam como
perfeitos paladinos dentro de One D&D; todos dedicaram suas vidas a acabar
com a “corrupção” onde viviam e o fizeram porque estavam tentando evitar a
suposta “aniquilação/obliteração” de seus respectivos povos.
Muito pode ser lido sobre um jogo, história ou sistema, pela forma como paladinos são retratados. Enquanto jogos como AD&D, D&D 3ª Edição, Old Dragon e Castles & Crusades trazem representações dignas do paladino, refletindo um claro respeito pela tradição e legado de fantasia, D&D 5e traz uma descrição rasa e D&D 2024 subverte completamente a classe e inclusive o faz sem tentar se esconder.
Por isso,
reforço novamente que apoiar esse sistema é contribuir para a destruição de
D&D e “corrupção” dos mais jovens que adentram o hobby. Foi com tristeza que recebi a notícia de que D&D 2024 seria publicado no Brasil, e até porque esse sistema de jogo subversivo, falho e desrespeitoso em breve estará entre nós, reforço aqui com ainda mais vigor meu apoio a versões tradicionais do jogo, como AD&D e D&D 3, e interpretações dignas dele, como Old Dragon e Castles & Crusades.
Vejo que ainda está nessa batalha fútil contra os poderes da ruína, velho tolo. Os verdadeiros paladinos são aqueles apresentados no último livro de D&D, aquele mesmo onde há bardos kpoppers afeminados e orcs mexicanos. No fim, todos irão cair e só restará a ruína e decadência, HAHAHAHAHAHA
ResponderExcluirNão pude me manifestar aqui nesses tempos já que estava muito ocupado trabalhando na corrupção desse reino decadente. Mas agora os servos do grande Bruxo já se preparam para dar o último golpe contra a liberdade que resta nesse lugar deplorável. Pode ter certeza de que os skavens devoradores de comentários ganharão mais forças para destruir todos aqueles que se opõe ao poder vermelho, HAHAHAHAHAHA
(Fazia um tempo que eu não entrava no blog, mas fiquei contente em ver que os ratos não te abduziram. Achei um vídeo bom que fala sobre o estado atual dos livros de fantasia e isso tem haver com o “orc smut” e a direção de arte e narrativa que D&D e Critical Role estão tomando.)
https://www.youtube.com/watch?v=ffvRhsViyIQ&t=2115s
Es um tolo, demônio, se acha que alguém em sã consciência chamaria de "paladino" aqueles degenerados de cabelo colorido que você e seus servos implantaram em Wokes & Dragons 2024. O ideal do paladino foi consagrado na época do AD&D, e em todos os locais com exceção das produções ligadas aos seus Bruxos da Costa, esse ideal ainda vive e se sustenta como a referência séria da classe.
ExcluirSobre o reino de Bananil, seu principal bruxo supremo já fora atingido pela espada flamejante do Paladino Laranja, e me breve, todos os seus bruxos, inclusive o famigerado Bruxo Vermelho, cairão. Ano que vem, o campo de batalha estará montado, e será o momento em que os justos de Bananil retomarão sua terra e dignidade.
(Tem sido difícil encontrar tempo para dedicar a esse espaço, especialmente diante de tudo o que tem acontecido nessas terras. Considero muito importante me manter bem informado para combater a desinformação e corrupção que tem se alastrado, e isso, junto ao aumento na demanda de trabalho, tem tomado muito do meu tempo. Mas caminhemos, um passo de cada vez. Sobre o vídeo, eu não havia assistido, e agradeço por ter compartilhado. Por fim, fico feliz em vê-lo também firme mesmo na situação que enfrentamos).