Saudações, guerreiros da Luz.
Como comentamos neste espaço com certa frequência, há um entendimento
compartilhado por boa parte dos jogadores veteranos de D&D de que o jogo
está morto há tempos, e que tem sido apenas profanado e reanimado nos últimos
anos. Enquanto D&D 5e ainda trazia consigo algumas das pedras fundamentais
do sistema, D&D 5.5 destruiu isso completamente, transformando o pouco que
restava de D&D em um bizarro show colorido de poderes e “liberdades”.
Os Bruxos da Costa alegam em comunicados oficiais que têm se esforçado para deixar o jogo mais “inclusivo” (mesmo com declarações expulsando jogadores veteranos, especialmente os brancos), politicamente correto (mesmo com seus “orcs mexicanos”) e mais adaptado à nova geração de jogadores. Este último ponto, o de estar trazendo o jogo para uma nova geração, sempre me pareceu falacioso, e por curiosidade, pesquisei quais foram e são as classes mais jogadas na história do sistema. Na minha concepção, se o jogo mudou tanto para atender a uma nova geração de jogadores, entende-se que as preferências dessa nova geração seriam muito diferentes das dos jogadores da minha geração ou da anterior. Compartilho abaixo o resultado da minha pequena contenda:
AD&D
O Guerreiro, especialmente a combinação clássica de Guerreiro Humano,
era a classe mais jogada durante a era do AD&D (1ª e 2ª Edição), conforme
apontado em pesquisas históricas da antiga Dragon Magazine e relatos nos fóruns de D&D Beyond. Conforme as mesmas fontes, o Clérigo
era a segunda classe mais escolhida
Comentário: AD&D era um jogo realmente desafiador, sem tempo ou
tolerância para “firulas”. Assim, é extremamente plausível que a classe mais
jogada fosse aquela que ao mesmo tempo apresentasse maior chance de
sobrevivência e também menor complexidade em termos de regras. O “guerreiro
básico” de AD&D evoluía mais rápido do que paladinos e rangers, e tinha
requisitos de atributo bastante leves, ao contrário do paladino. Além disso, os
gêneros de fantasia medieval, alta fantasia e fantasia história sempre
trouxeram muitos excelentes exemplos de guerreiros como inspiração.
O Guerreiro continuou
sendo uma das classes mais jogadas do D&D 3ª Edição (incluindo a versão
3.5). O segundo lugar era disputado de forma próxima pelo Clérigo, Mago e Ladino,
de acordo com discussões históricas da comunidade e fóruns especializados como
o EN World e o Giant in the Playground.
Comentário: D&D 3e deu mais poder ao jogador, mas ainda manteve o clima de perigo e desafio do AD&D. O guerreiro, além de uma figura “já bem conhecida”, nesse sistema poderia ser altamente personalizado, o que tornou o apelo da classe ainda maior; uma classe boa para níveis iniciais e novatos, e que ao mesmo tempo, poderia ser muito personalizada.
D&D 4
O Guerreiro e o
Ranger figuravam entre as classes mais populares e consistentemente
bem-sucedidas do D&D 4ª Edição, seguidas de perto pelo Mago, conforme
análises retroativas e discussões comunitárias em fóruns como o EN World e o RPG
Stack Exchange.
Comentário: É difícil comentar sobre um sistema que não joguei, mas pelo pouco que conheço de D&D 4e, esta versão é a que se propôs a ser a “mais tática versão do D&D”. Mesmo nesse contexto onde tudo girava em torno do tabuleiro de jogo, o guerreiro continuou sendo a classe mais escolhida. O ranger, pelo o que sei, era na época um “striker”, um combatente marcial muito eficaz em causar dano a inimigos.
D&D 5
O Guerreiro lidera o
topo das classes mais jogadas do D&D 5ª Edição, de acordo com os dados
oficiais de criação de personagens divulgados periodicamente pela plataforma
D&D Beyond e análises da comunidade no EN World. Em segundo lugar está a
classe Ladino e logo depois, classes Paladino e Bruxo.
Comentário: Uma das premissas de D&D 5e foi criar um paladino que, diferente do paladino de AD&D e D&D 3e, era absurdamente poderoso e poderia ser jogado sem qualquer tipo de restrição mecânica ou moral. De forma muito semelhante, ampliou o escopo do Bruxo, para que fosse mais poderoso do que antes, e ainda mais ligados a forças sombrias. Classes muito poderosas, sem qualquer restrição e que, por mais absurdo que pareça, foram feitas para poderem ser combinadas, em uma “build suprema de Carisma”, como os mais jovens foram ensinados a falar. Mas mesmo com todo esse incentivo que chega até a ser imoral, e mesmo considerando que boa parte dos jogadores veteranos de D&D abandonou o hobby na época da 5ª edição, a classe mais jogada ainda é o guerreiro. E não é qualquer arquétipo do guerreiro, é o arquétipo Campeão (fraco mecanicamente, mas o que mais lembra o guerreiro tradicional dos dias do AD&D).
Isso prova que o público em si não mudou muito. Todas essas “atualizações” não foram feitas pensando nos jogadores de D&D ou na perenidade do sistema em si. Foram feitas pensando unicamente em agendas ideológicas deturpadas que estão sendo empurradas sobre os mais jovens e menos orientados. Por isso, reforço a importância de que os jogadores mais velhos não desprezem ou virem as costas para os mais novos; que, dentro do possível, os ensinem uma forma melhor de jogar. Não se trata apenas do jogo em si, mas de questões que envolvem diretamente a formação de uma geração.
Em relação às classes em si, em meu grupo tivemos vários exemplos de todas as classes da geração D&D 3. Mas guerreiros, clérigos e magos sempre foram os mais comuns, seguidos dos bardos. Em relação às menos jogadas, tínhamos o paladino (apenas eu fazia essa classe, e como na maioria das campanhas eu era o mestre, havia pouquíssimos paladinos personagens jogadores na mesa), o ranger, monge e druida. Caso desejem compartilhar a realidade de suas mesas, seja por meio de comentários ou da enquete ao lado, sejam muito bem-vindos.





