segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

D&D de Valor: Old School Essentials

Saudações, guerreiros da Luz

Já há algum tempo, tenho lido sobre uma variação de D&D não tão conhecida nessas terras, o Old School Essentials. Depois que pude me familiarizar com o mesmo, decidi escrever esse pergaminho, no intuito de que mais pessoas conheçam esta outra forma de jogar D&D que, em termos de espírito, supera em muito edições modernas como D&D 5e e D&D 2024.

Como o próprio nome sugere, é um jogo concentrado em preservar a jogabilidade old school com máxima clareza possível. Em outras palavras, é um sistema que busca ser enxuto, assertivo e fiel às primeiras versões de D&D. E quando me refiro a isso, não remeto ao célebre AD&D; me remeto a algo anterior a isso.

Em termos de organização e regras, o livro é enxuto, claro e bastante assertivo. O que mais me chamou a atenção é a velocidade com a qual é possível começar a jogar. Apesar de utilizar o ThAC0, alguém que nunca jogou RPG consegue absorver as regras rapidamente, porque são simples e condensadas. A criação do personagem em si, algo que tomava cada vez mais tempo conforme as edições de D&D foram “evoluindo”, é extremamente rápida aqui. Temos a combinação clássica de raças como classes (como em jogos de arcade clássicos como os de Mystara), o que realmente ajuda em termos de poupar tempo e caracterização de papeis. São apenas sete classes: Guerreiro, Mago, Clérigo, Ladrão, Elfo, Anão e Halfling, mas elas cobrem quase tudo o que um jogador deseja fazer. Em cerca de 2 minutos (eu fiz o teste) é possível criar um personagem e começar a jogar.

O jogo em si respeita e evoca toda a essência da filosofia old school; rolagens simples, exploração de masmorras, perigo real, combates rápidos e letais, foco em criatividade em vez de combos de ficha, progressão lenta e ausência (quase) total de burocracia ou regras morosas. É um jogo em que você sente o personagem crescendo em termos de poder, mas sem que ele se torne um super-herói como nas edições modernas. As classes não possuem “poderes especiais” ou ataques advindos de um anime. A magia é algo precioso e fabuloso, porque não é banalizada. A estratégia e trabalho em equipe são incentivados e não são meros agregadores de valor; são questões de sobrevivência. O jogador não é um super-herói, ele é um aventureiro medieval, e por isso, precisa calcular bem suas ações e decisões, porque do contrário, ele invariavelmente morrerá. Não porque a aventura nesse modelo seja particularmente difícil, mas porque você não será capaz de resolver tudo irresponsavelmente por meio do poder bruto como se estivesse em um episódio de Vox Machina. Por isso, cada nível de experiência é extremamente valorizado, e traz consigo um grande aprendizado. Isso torna o jogo mais desafiador e muito mais recompensador.

Como se trata de um jogo old school, e que busca prezar pelo “essencial”, as opções de customização de personagens são muito mais restritas. No entanto, o sistema em si é tão simples e bem alinhado que um mestre com pouca experiência pode criar em minutos classes como o bardo, paladino ou ranger. Mesmo classes mais complexas, como o druida, também podem ser concebidas de forma simples, mas com um pouco mais de tempo. Isso, no entanto, não é absolutamente necessário, até porque uma das premissas do jogo é que as classes tenham papéis bem claros. Mas ainda assim, é possível. Não há também uma preocupação especial com aspectos interpretativos ou mecânicas para esses momentos. Isso, no entanto, para mim é um ponto extremamente positivo, porque força mestre e jogadores a resolverem as coisas dentro de jogo, ao invés de depender de perícias, habilidades e poderes especiais para simplesmente falar com outras pessoas.

A única crítica que faço é que, ao se preocupar muito em manter o clima e essência de jogos antigos, os desenvolvedores se prenderam a preciosismos em questões que poderiam ser lapidadas; o estilo de arte é propositalmente precário, e não faria mal se fosse adotado um estilo semelhante ao do AD&D (boas ilustrações mantendo um ar clássico). O halflings como classe é muito mais fraco do que as demais, anões não podem lutar usando marretas ou machados grandes, etc. A matriz de combate é outro exemplo de um fator que assusta à primeira vista, e não precisaria estar lá (para ser justo, em edições mais novas os desenvolvedores fizeram uma sábia concessão, trazendo a possibilidade de utilizar bônus de acerto e AC ascendente ao invés do ThAC0 para simplificar e agilizar cálculos). São coisas pequenas, fáceis de serem alinhadas, mas que podem afastar jogadores mais novos que se beneficiariam MUITO com essa experiência.

De qualquer modo, em minha opinião, mesmo não sendo perfeito Old School Essentials é um excelente jogo, e está muito (muito) acima dos jogos de RPG lançados nos últimos anos. É algo que mesmo jogadores mais novos fariam bem em conhecer. Àqueles interessados, uma versão básica do livro pode ser baixada de forma legal e gratuita por esse PORTAL.

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