Saudações, guerreiros da Luz
Já há algum
tempo, tenho lido sobre uma variação de D&D não tão conhecida nessas
terras, o Old School Essentials. Depois que pude me familiarizar com o mesmo,
decidi escrever esse pergaminho, no intuito de que mais pessoas conheçam esta
outra forma de jogar D&D que, em termos de espírito, supera em muito
edições modernas como D&D 5e e D&D 2024.
Como o próprio
nome sugere, é um jogo concentrado em preservar a jogabilidade old school com
máxima clareza possível. Em outras palavras, é um sistema que busca ser enxuto,
assertivo e fiel às primeiras versões de D&D. E quando me refiro a isso,
não remeto ao célebre AD&D; me remeto a algo anterior a isso.
Em termos de
organização e regras, o livro é enxuto, claro e bastante assertivo. O que mais
me chamou a atenção é a velocidade com a qual é possível começar a jogar. Apesar
de utilizar o ThAC0, alguém que nunca jogou RPG consegue absorver as regras
rapidamente, porque são simples e condensadas. A criação do personagem em si, algo
que tomava cada vez mais tempo conforme as edições de D&D foram “evoluindo”,
é extremamente rápida aqui. Temos a combinação clássica de raças como classes
(como em jogos de arcade clássicos como os de Mystara), o que realmente ajuda
em termos de poupar tempo e caracterização de papeis. São apenas sete classes:
Guerreiro, Mago, Clérigo, Ladrão, Elfo, Anão e Halfling, mas elas cobrem quase
tudo o que um jogador deseja fazer. Em cerca de 2 minutos (eu fiz o teste) é
possível criar um personagem e começar a jogar.
O jogo em si
respeita e evoca toda a essência da filosofia old school; rolagens simples, exploração
de masmorras, perigo real, combates rápidos e letais, foco em criatividade em
vez de combos de ficha, progressão lenta e ausência (quase) total de burocracia
ou regras morosas. É um jogo em que você sente o personagem crescendo em termos
de poder, mas sem que ele se torne um super-herói como nas edições modernas. As
classes não possuem “poderes especiais” ou ataques advindos de um anime. A
magia é algo precioso e fabuloso, porque não é banalizada. A estratégia e
trabalho em equipe são incentivados e não são meros agregadores de valor; são
questões de sobrevivência. O jogador não é um super-herói, ele é um aventureiro
medieval, e por isso, precisa calcular bem suas ações e decisões, porque do
contrário, ele invariavelmente morrerá. Não porque a aventura nesse modelo seja
particularmente difícil, mas porque você não será capaz de resolver tudo irresponsavelmente
por meio do poder bruto como se estivesse em um episódio de Vox Machina. Por
isso, cada nível de experiência é extremamente valorizado, e traz consigo um
grande aprendizado. Isso torna o jogo mais desafiador e muito mais
recompensador.
Como se trata de
um jogo old school, e que busca prezar pelo “essencial”, as opções de
customização de personagens são muito mais restritas. No entanto, o sistema em
si é tão simples e bem alinhado que um mestre com pouca experiência pode criar
em minutos classes como o bardo, paladino ou ranger. Mesmo classes mais
complexas, como o druida, também podem ser concebidas de forma simples, mas com
um pouco mais de tempo. Isso, no entanto, não é absolutamente necessário, até
porque uma das premissas do jogo é que as classes tenham papéis bem claros. Mas
ainda assim, é possível. Não há também uma preocupação especial com aspectos
interpretativos ou mecânicas para esses momentos. Isso, no entanto, para mim é
um ponto extremamente positivo, porque força mestre e jogadores a resolverem as
coisas dentro de jogo, ao invés de depender de perícias, habilidades e poderes
especiais para simplesmente falar com outras pessoas.
A única crítica
que faço é que, ao se preocupar muito em manter o clima e essência de jogos
antigos, os desenvolvedores se prenderam a preciosismos em questões que
poderiam ser lapidadas; o estilo de arte é propositalmente precário, e não
faria mal se fosse adotado um estilo semelhante ao do AD&D (boas
ilustrações mantendo um ar clássico). O halflings como classe é muito mais
fraco do que as demais, anões não podem lutar usando marretas ou machados
grandes, etc. A matriz de combate é outro exemplo de um fator que assusta à
primeira vista, e não precisaria estar lá (para ser justo, em edições mais
novas os desenvolvedores fizeram uma sábia concessão, trazendo a possibilidade
de utilizar bônus de acerto e AC ascendente ao invés do ThAC0 para simplificar
e agilizar cálculos). São coisas pequenas, fáceis de serem alinhadas, mas que
podem afastar jogadores mais novos que se beneficiariam MUITO com essa
experiência.
De qualquer modo,
em minha opinião, mesmo não sendo perfeito Old School Essentials é um excelente
jogo, e está muito (muito) acima dos jogos de RPG lançados nos últimos anos. É
algo que mesmo jogadores mais novos fariam bem em conhecer. Àqueles
interessados, uma versão básica do livro pode ser baixada de forma legal e
gratuita por esse PORTAL.

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