Saudações, guerreiros da Luz.
Em um pergaminho recente, lhes trouxe um pouco da história da improvável
e implacável dupla de heróis Gotrek e Felix. Neste momento, compartilho um
pouco sobre outro herói trágico pouco conhecido pela maioria dos grupos de RPG
dos tempos atuais, mas que traz consigo uma valiosa lição sobre dever e
sacrifício: Ungrim Ironfist, o Rei Matador de Karak Kadrin.
Entre os muitos nomes gravados nas pedras ancestrais dos anões (conhecidos
na mitologia de Warhammer Fantasy como Dawi),
poucos evocam tanto respeito, temor e admiração quanto Ungrim Ironfist,
o lendário Rei Matador (Slayer King) de Karak Kadrin. Sua própria
existência é um paradoxo vivo dentro da cultura anã: um rei coroado que, ao
mesmo tempo, fez o Juramento do Matador, buscando uma morte gloriosa em
combate para expiar uma desonra pessoal.
Para compreender Ungrim, é preciso entender o conceito dos Slayers, um grupo de relevância imensurável na
cultura dos anões. Entre os anões, a honra é mais valiosa que ouro ou
pedra rúnica. Não é exagero dizer que para um anão, sua honra vale muito mais
do que a própria vida. Nessa cultura, aqueles que falham gravemente — seja por
covardia, erro estratégico em batalha ou culpa pessoal — podem raspar a cabeça,
tingir a crista de laranja vivo, tatuar runas místicas em seu corpo e jurar
buscar a morte contra o inimigo mais terrível possível. Trata-se de uma
penitência final: viver apenas para cair em batalha destruindo o maior número
possível de inimigos dos anões, e nesse último combate onde lutam com todas as
forças, tombar e recuperar sua honra. Perante si mesmos e perante os ancestrais.
Por conta desse compromisso absoluto com a recuperação da honra, um Slayer/Matador
abandona qualquer tipo de posição social. Por essa razão, reis não se tornam
Slayers. No entanto, Ungrim tornou-se um.
Filho do lendário Rei Garagrim Ironfist, Ungrim herdou o trono de
Karak Kadrin, também conhecida como a Fortaleza dos Matadores, um
refúgio histórico para Slayers que marcham rumo às Terras Ermas e às Montanhas
da Borda do Mundo em busca de uma morte honrada.
Contudo, durante sua juventude, uma tragédia marcou seu espírito.
Algumas versões falam de falhas em campanhas militares, enquanto outras de
perdas familiares, como a de sua filha, morta pelo dragão Skaladrak na viagem
para seu casamento. Nunca foi revelado em definitivo o motivo pelo qual Ungrim
fez o Juramento dos Matadores (como normalmente ocorre com todos os Matadores),
mas o resultado é o mesmo: Ungrim julgou-se indignamente falho, além de
qualquer redenção por termos convencionais. Movido pela culpa, tomou o Juramento
do Matador, mesmo sendo herdeiro do trono. Isso o colocou diante de um
dilema cultural impossível: Como rei, deve proteger seu povo, mas como Matador,
deve buscar a morte.
Diferente de outros governantes anões, que comandam seus exércitos de
posições estratégicas, Ungrim lidera seus guerreiros sempre na linha de
frente. Empunhando o lendário machado rúnico Axe of Dargo, ele
avança contra impiedosamente contra orcs, goblins, skaven (homens rato),
gigantes, servos do Caos, demônios e até mesmo dragões, como o temível dragão
do Pico Negro, que dizimou legiões de guerreiros do Império dos Homens, mas tombou
perante o machado do Rei Matador. Seu estilo de combate é brutal, direto e
quase suicida. No entanto, a ironia cruel dos deuses é que ele simplesmente
não morre. Cada batalha que deveria ser sua última apenas adiciona mais
feitos ao seu nome. Entre os Matadores, isso é visto como um sinal de que: “Grungni
(divindade patrona dos anões) ainda não aceitou sua expiação.”
Em termos de personalidade, Ungrim não é um rei melancólico ou
resignado. Pelo contrário: É severo, mas justo, orgulhoso, mas honesto, implacável
com inimigos e Leal aos aliados. Em outras palavras, tudo aquilo que um anão
digno de sua barba deve ser. Um aspecto muito interessante de Ungrim é que ele
entende o peso de cada vida anã sob sua responsabilidade. Essa consciência é o
que o impede de simplesmente buscar uma morte isoladamente. Sua honra o força a
proteger seu povo antes de buscar sua própria redenção, uma vez que como bom rei que é, ele coloca o bem estar de seu
povo (seu dever) à frente de seus desejos. Ungrim Ironfist representa o coração
da cultura anã: Honra acima da vida. Dever acima do desejo. Tradição acima do
conforto. Por isso, ele se tornou um símbolo e um herói na cultura dos anões.
Entre todos os excelentes personagens de Warhammer Fantasy, este sempre foi o meu favorito. Não por conta de suas proezas épicas em combate, mas pelo seu valor e pela forma como ele exemplifica as virtudes do dever, sacrifício e honra pessoal. Valores infelizmente esquecidos nos dias de hoje, e que precisam com urgência serem resgatados.

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