Saudações, guerreiros da Luz.
Os mais velhos aqui devem lembrar que na era do AD&D tivemos a
consolidação de muitos grandes heróis, especialmente nos cenários de Dragonlance, Forgotten Realms e Greyhawk. Ainda assim, muitos dos maiores
heróis da fantasia medieval não estão nos livros de D&D. Heróis que não estavam ligados ao RPG em si,
mas que dariam personagens formidáveis em qualquer campanha. Esta
série de pergaminhos pretende trazer ao corrompido mundo contemporâneo da
fantasia medieval heróis lendários, mas pouco conhecidos pelos mais jovens.
O objetivo aqui é relembrar e conhecer um pouco melhor personagens de
grande valor, dando a novos jogadores boas referências de personagens, algo
extremamente necessário nos dias de hoje, em que a “referência” tristemente são
os personagens aberrantes de Critical Role. Para começar, trago duas
verdadeiras lendas da minha ambientação de fantasia favorita fora dos trabalhos
de Tolkien: Gotrek, o anão matador
(slayer) e Felix, o bardo. Um queria
apenas morrer. O outro, apenas escrever. Nenhum jamais imaginava o legado que
criariam ao não realizar seus desejos.
Poucos personagens em Warhammer Fantasy são tão icônicos quanto Gotrek Gurnisson e Felix Jaeger. Suas histórias misturam
brutalidade, honra, humor ácido e tragédia — um retrato perfeito de um mundo
onde a morte é comum, mas a glória é rara. Gotrek e Felix se conheceram na
cidade imperial de Altdorf,
Felix Jaeger, um jovem humano impulsivo, estudante e poeta frustrado, estava
fugindo das consequências de um duelo e de seus próprios erros. Em uma taverna,
ele se envolveu em uma briga ao lado de um anão estranho: Gotrek Gurnisson, que ostentava um
enorme machado rúnico e
o icônico topete laranja dos
Matadores Anões.
Após sobreviverem juntos ao caos da noite — incluindo guardas, cultistas
e monstros — Felix, embriagado e tomado por um súbito impulso romântico e
fatalista, jurou seguir Gotrek e
registrar suas façanhas até o dia de sua morte gloriosa. Gotrek aceitou o
juramento com indiferença ranzinza. Assim nascia uma das maiores duplas e sagas
de Warhammer.
Gotrek é um Anão Matador (Slayer),
uma casta formada por anões que cometeram uma grande desonra (nunca totalmente
revelada) e que buscam redenção por meio de uma morte honrosa em combate, um excelente conceito de personagem, que
trataremos melhor em um pergaminho futuro Gotrek é extremamente ranzinza, direto e impaciente. Como
todos os anões, odeia covardia, magia excessiva e falta de caráter. Ele
possui força e resistência extraordinárias, e é um mestre no combate corpo a
corpo, mesmo considerando o alto padrão dos anões nesses quesitos. Apesar desejar
morrer, Gotrek é absurdamente
difícil de matar, o que se torna
uma ironia cruel e quase cômica ao longo da saga.
Felix é o completo oposto de Gotrek: humano, idealista e reflexivo. Ele se vê como um poeta, mas acaba
se tornando historiador, guerreiro relutante e consciência moral da dupla. Ele
é inteligente, sarcástico e introspectivo, vive em conflito entre coragem e
medo e questiona constantemente o sentido da violência e do mundo. Felix não é
um herói nato, mas se torna um por persistência,
sobrevivendo a situações que jamais deveria. Além disso, desenvolve um profundo
senso de lealdade a Gotrek. É um bom espadachim, ainda que longe do nível de
Gotrek no combate com armas, e é um excelente bardo, especialmente nas artes da
oratória e conhecimento do mundo que os cerca. Podemos dizer que sua maior
força está em continuar lutando
apesar do medo.
Algo que considero muito interessante na dinâmica desses dois
personagens é que Gotrek e Felix representam dois lados do Velho Mundo:
Enquanto Gotrek é a fúria antiga,
a tradição e a guerra eterna, Felix é a humanidade frágil, tentando dar sentido ao horror e sobrevivendo
da melhor forma que pode.
Juntos, eles mostram que, mesmo em um mundo condenado, amizade, honra e histórias ainda importam —
nem que seja apenas para serem lembradas antes do fim. Por fim, compartilho
aqui duas interessantes canções que honram essa lendária dupla de heróis
improváveis.

Nenhum comentário:
Postar um comentário