Saudações, guerreiros da Luz
Em sagas de fantasia, é comum
encontrarmos, mesmo naquelas muito bem escritas, histórias em que o escritor se
identifica demais, ou se apaixona pelo personagem principal e, por conta disso,
o mundo todo passa a girar em torno dele. Mas mesmo nesses casos, é frequente a
figura de um mentor; alguém que educa, treina e prepara o protagonista para que
o mesmo possa crescer forte, especialmente em termos de caráter, e cumprir seu
destino. No meu caso, esses personagens em específico sempre acabam me
interessando mais do que o protagonista da história, como acontecia na minha
infância, em que respeitava e admirava muito o guerreiro Jaga, o mentor de
Lion-O, protagonista de Thundercats. Mas no contexto de D&D, meu “personagem
mentor” favorito sempre foi Zaknafein Do Urden, o pai de Drizzt.
Zaknafein era o maior guerreiro e
mestre de armas de Menzoberranzan, o corrupto centro de poder da sociedade
drow. No AD&D, ele era retratado como um guerreiro de 24º nível, algo
absolutamente surreal, especialmente considerando que Drizzt era um “ranger” de
16º nível e Auzon, o “guerreiro supremo” de Forgotten Realms na segunda edição,
era um guerreiro de 20º nível. Mas ao contrário de muitos leitores dos trabalhos de Salvatore, o que me fazia respeitar extremamente esse personagem
não era sua inegável habilidade com a espada, mas sim, seu caráter. Zaknafein era um
homem honrado, e além disso, tinha um bom coração. No entanto, vivia em uma
sociedade totalmente degradada, cruel e pervertida, e por isso, mesmo não se
corrompendo, ficou fortemente marcado. Mas mesmo assim, desde que soube que
Drizzt era seu filho, se dedicou de corpo e alma para proteger o garoto da
podridão da sociedade drow e das maquinações das Matriarcas. Tanto que ele
pagou com a vida para garantir que seu filho tivesse a chance de buscar uma
vida melhor e mais digna longe dos tentáculos de Lolth.
Posteriormente, ele foi ressuscitado
para ajudar a colocar um fim no reinado das Matriarcas e clérigas de Lolth (e
obviamente ser superado em combate por seu filho Mary Sue), mas o cerne do
personagem nunca mudou: Ele representa de forma brilhante o que acontece quando
um bom homem, de vontade forte, precisa viver em uma sociedade decadente. Ele
não se corrompe, mas fica comprometido. E mesmo maculado, dedica-se
integralmente a proteger aqueles que ama. Em minha humilde opinião, um exemplo para todos nós. Aos interessados, segue em detalhes a história
desse interessante personagem:

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