sábado, 29 de agosto de 2026

Heróis de Valor: Montolio Debrouchee

Saudações, guerreiros da Luz

A história de D&D está repleta de personagens realmente interessantes, especialmente quando tomamos como base a era AD&D. Quando falamos em Forgotten Realms, podemos citar grandes exemplos de todas as classes do jogo. E quando falamos de Rangers neste cenário, é muito comum haver menções a personagens como Drizzt e Minsc (que, se formos analisar de forma justa, não são nem de longe arquétipos da classe) e Ren o’ the Blade e Dove Falconhand (estes sim, verdadeiros rangers).

No entanto, nenhum dos exemplos acima consegue representar tão bem a classe quanto o velho Montolio Debrochee (Moonshie), mestre de Drizzt e guardião do chamado “Bosque de Moonshie”. Na minha opinião como jogador mais antigo e leitor de obras de fantasia, Montolio consegue personificar o arquétipo do Ranger melhor até mesmo do que a base fundamental da classe, o grande Aragorn.

Montolio era um aventureiro veterano no norte de Faeruun, membro de um grupo chamado Rangewatcher. Em uma determinada missão, seu grupo entrou em colisão com um poderoso dragão vermelho que aterrorizava a região, e apesar de terem conseguido derrotar o monstro, toda a divisão de Montolio foi morta. Ele fora o único sobrevivente, mas ficou permanentemente cego após o confronto. Abalado pela perda dos companheiros e pela cegueira, Montolio se recusou a entrar em um estado de auto piedade e terminar a vida como um velho bêbado em uma taverna qualquer. Ao invés disso, se isolou em um vale nas Montanhas de Rauvin e decidiu esperar que a morte chegasse naturalmente.

No entanto, este isolamento aguçou tremendamente seus outros sentidos (se isso foi uma benção de Mielikki, sua deusa, ou não, é algo aberto para discussão). Ele aos poucos fez amizade com todos os animais do vale, e tomou como parceira a grande coruja Hooter (também conhecida como Hoaster, dependendo do livro), que dali em diante, passou a servi-lo como seus “olhos”, e fez amizade com o poderoso urso marrom Bluster. Apesar de não ter recuperado a visão de fato, Montolio sentiu sua conexão com Mielikki e com a natureza crescer, e nisso, tomou como missão para si ser o guardião daquele local que passou a ser considerado um bosque sagrado.

Anos mais tarde, encontrou o drow Drizzt, que havia acabado de escapar do Underdark, e vendo valor no jovem elfo negro, o ensinou a língua dos povos da superfície e, mais importante, o caminho do Ranger e os caminhos de Mielikki. Da mesma forma que Zaknafein moldou Drizzt em um guerreiro formidável, Montolio moldou muito do caráter e valores que o drow carregaria consigo por toda sua vida. Mesmo cego, Montolio era um guerreiro mortal, tanto com a espada longa quanto com seu temível arco, cujas flechas precisas eram guiadas por Hooter.

Em um dado momento, o rei orc Graul decidiu tomar o bosque sagrado de Montolio, organizando um bando de guerra de 200 orcs e dezenas de wargs. Aqui, Montolio mostrou o verdadeiro valor do Ranger, organizando a defesa do local de maneira magistral, utilizando conhecimento do terreno, táticas de guerrilha, armadilha e planejamento logístico impecável. Os animais as floresta agiam conforme suas orientações, dividindo e espalhando os orcs, levando-os para locais específicos onde cairiam em armadilhas, seriam presas de Bluster, das espadas de Drizzt ou de seu próprio arco. Hooster informava a Montolio como as forças dos orcs estavam sendo dirigidas, e Montolio dava os comandos e orientações conforme essas informações. Seu planejamento foi tão impecável que ele conseguiu transformar uma campanha de invasão extremamente fácil em um pesadelo logístico que resultou na derrota absoluta do bando de guerra de Graul, que (obviamente) foi abatido por Drizzt em combate.

Esta batalha guarda em si um aspecto muito importante: Se ela fosse conduzida como uma guerra de atrito, ou se os defensores do vale enfrentassem de frente as forças de Graul, eles seriam massacrados, mesmo contando com Drizzt e sua já bem conhecida “plot armor”. O que realmente trouxe a vitória aqui não foi a espada ou arco de Montolio, mas sim suas habilidades impecáveis no ofício do ranger.

Mais tarde, com sua missão de proteger o vale e de treinar Drizzt completas, Montolio morreu pacificamente, por causas naturais, sabendo que sua missão estava cumprida.

No livro Heroes Lorebook de 1996 (falamos sobre ele em um dos primeiros pergaminhos desse blog) temos uma ficha resumida dele. Na ficha ele consta como um Ranger de 16º nível, de alinhamento Leal e Bom, elevados valores de Destreza e Sabedoria e mecânicas adaptadas de Lutar às Cegas, e Empatia Animal, assim como dados de seus principais companheiros, Hooter e Bluster.

Muitos jogadores, mesmo entre os mais antigos, consideram Drizzt como o “ranger supremo” de Forgotten Realms, mas essa designação não é, de forma alguma, verdadeira. Por conta da forma como foi escrito, Drizzt pode ser sim um guerreiro/monge/ladino/ranger praticamente invencível em combate. Mas ele praticamente nunca demonstra qualquer habilidade verdadeira como ranger. Montolio, por outro lado, é um ranger puro, que em sua jornada mostrou a essência e todo o potencial da classe. Apesar de exímio combatente, ele deixou claro que o grande valor do ranger não está em sua habilidade com armas, mas em sua habilidade de unir magistralmente a empatia animal e conhecimento do terreno com táticas avançadas de logística militar.

2 comentários:

  1. Gronark, o Senhor do "Amor"1 de setembro de 2026 às 15:30

    O retrógado Montolio já foi esquecido pelo Salvatore, já que o personagem nunca foi mais que um mero degrau para a santificação de Drizzt. Uma mera notinha de rodapé na melhor das hipóteses. Tanto ele quanto Aragorn já foram esquecidos pelos jogadores modernos, e agora os rangers tem como o exemplo absoluto da classe a meio-elfa Vex'ahlia. Que é perfeita, nunca erra e que representa tudo que o feminismo moderno propaga. Além disso agora a classe não é mais composta de sobrevivencialistas, mateiros e caçadores, porque essas atividades são “tóxicas e retrógadas”. Agora a classe é apenas um combatente genérico que é um “pai de pet” e nem mais representa os antigos rangers! O “amor” venceu, caolho. Abandone essas velharias e se atualize com os novos personagens “diversos e coloridos” de D&D 5.5! HAHAHAHAHAHAHA

    [Aproveitando o post do Montolio, eu recomendo assistir os documentários de Dick Proenneke, que viveu decadas isolado em um parque no Alaska, recebendo visitas ocasionalmente. Eu sempre falo que o Dick é um dos maiores exemplos de “ranger” moderno pelo simples fato de que ele realmente viveu na natureza. Vou colocar os documentários aqui abaixo em ordem;
    Alone In the Wilderness
    https://vkvideo.ru/video864736629_456241358

    Alone In the Wilderness II
    https://www.youtube.com/watch?v=uSVT_9rMI5g

    Alaska, Silence & Solitude
    https://www.youtube.com/watch?v=tlbmzDJowBY

    Eu vou ficar devendo o último que é o “The Frozen North”, mas vale a pena ser visto.

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    1. Apenas você e sua ignóbil corja de tolos sem alma consideraria Vex'ahlia como uma ranger. Ela é tão ranger quanto sua amiga Pike é clériga. O "amor" de vocês jamais foi ou será capaz de produzir bons personagens. Apesar de todos os esforços de Salvatore em sepultar Montolio muito rápido para que ele não ofuscasse o precisoso Drizzt, ele será lembrado por muito mais tempo do que sua "ranger" de batom e maquiagem que coloca um urso de armadura dentro de uma pokebola.

      Gosto muito dos documentários de Dick Proenneke e fiquei até surpreso por mais alguém conhecer. Ele é um dos maiores exemplos de verdadeiro ranger do mundo real. A série dele é até melhor do que as "Sobrevivendo abaixo de Zero" e "Homens da Montanha", mais conhecidas no ocidente. Grato pela indicação dos vídeos).

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