quinta-feira, 26 de março de 2026

Melf's Guide to Greyhawk e a luz no fim do túnel

 Saudações, guerreiros da Luz

Como o sábio mestre Tolkien dissera uma vez, nenhuma escuridão dura para sempre. Talvez, estejamos vendo o primeiro sinal real de luz no fim do túnel na história hedionda e o mar de lama colorida em que D&D foi mergulhado nos últimos anos.

Há cerca de sete meses, Dan Ayoub (um autodeclarado fã do D&D old school) assumiu o comando da marca, em um momento, como todos sabem, bastante crítico; depois de dobrar a aposta da agenda woke em D&D e hostilizar repetidamente seus jogadores verdadeiros, a WotC chegou ao ponto abissal de ofender duas vezes a própria família de Gary Gygax. Como óbvia consequência, os poucos que ainda tinham disposição (aqui podemos usar a expressão “sangue de barata”) para apoiar a WotC deixaram o barco, e a empresa e o jogo começaram a ser pesadamente criticados. Foi inclusive feita uma pesquisa oficial de satisfação no D&D Beyond, onde ficou cristalina a fúria e insatisfação dos jogadores. Neste cenário, Dan Ayoub teve o bom senso de não “triplicar a aposta”, e fez o que nenhum gestor da WotC fez: Ele assumiu que haviam perdido o caminho, e que precisavam mudar.

Como passo concreto nesse sentido, ele se aproximou de Luke Gygax, filho de Gary Gygax, e se desculpou publicamente pelo o que a WotC fizera com sua família. O encontro foi mediado pelo ator e jogador veterano de D&D Joe Manganiello, também descontente com a empresa porque a mesma cancelou o show que ele estava preparando ambientado no mundo de Dragonlance, seu cenário de campanha favorito. Mais do que isso, Ayoub convidou Luke para trabalhar no que seria a recuperação da marca e seu legado, em um livro chamado Melf's Guide to Greyhawk (apenas como curiosidade, Melf – “male elf” era o personagem de Luke na campanha mestrada décadas atrás por seu pai). E no intuito de realmente sacramentar seu compromisso em trazer de volta a essência do D&D, Ayoub trouxe para fazer a capa do livro (imagem que ilustra esse pergaminho) o lendário Jeff Easley, ilustrador veterano que praticamente deu a “cara” do AD&D como o conhecemos. Isso é especialmente interessante porque a WotC já havia hostilizado Easley abertamente por ele representar a velha guarda de criadores e artistas.

Em relação a Luke Gygax, o mesmo declarou na última Gary Con que gostava da 5ª edição do jogo por ter trazido uma nova geração de jogadores ao hobby (apenas por isso), mas que achava que aquela edição removera muito do desafio e emoção do jogo. Nas palavras dele, o jogo deveria ser sobre personagens aventureiros, não super-heróis destruindo tudo em seu caminho. Desta forma, sua proposta inicial não seria a criação de um novo sistema (que seria a solução real para o problema), mas sim usar o livro de Greyhawk para trazer diversas novas regras que tornassem o jogo mais desafiador e dentro do clima que nunca deveria ter perdido. As classes, regras de descanso, magias, etc seriam ajustadas para fazer sentindo em Greyhawk. Há, no entanto, especulações bem embasadas de que o trabalho de Luke Gygax abra as portas para um novo módulo “classic” de D&D, que com o tempo, acabaria posteriormente evoluindo e funcionando como uma nova versão do sistema. Isso abriu portas para outra ação importante junto a Tracy Hickman e Margaret Weis: O lançamento em agosto deste ano de uma nova trilogia de Dragonlance, desta vez, sem agendas e garotas “fortes e independentes”; uma trilogia focada em Huma e Magius, mostrando a origem das Dragonlances e muito do mundo de campanha que serviu de palco para a trilogia clássica do cenário (falaremos mais sobre isso no próximo pergaminho)

Minha opinião como quem tem acompanhado de perto e com atenção todo o desastre que se deu nos últimos anos é que pela primeira vez, temos motivo para acreditar que as coisas podem melhorar. Não porque acredito que Dan Ayoub, como jogador veterano que aprecia AD&D assumiu para si a missão de resgatar D&D e está reunindo um grupo de companheiros de peso para isso. Mas porque a marca, como tudo o que abraça a ideologia woke, chegou ao fundo do poço. Mas diferente do que ocorre com os desastres produzidos pela Disney, a Hasbro (detentora da WotC) e seus acionistas já deram sinais claros que não investirão dinheiro em uma marca falida, e que estão descontentes com o grau elevadíssimo que a marca D&D tem de rejeição no mercado (rejeição esta que segundo análises, está respingando em outras propriedades intelectuais da WotC e por tabela, da Hasbro).

De forma sucinta, ou D&D se levanta e anda com as próprias pernas, ou a marca será definitivamente enterrada. Na época do AD&D, a TSR estava com problemas financeiros e estruturais, mas o jogo tinha uma base sólida, fiel e forte de jogadores. Hoje, o cenário é muito mais negativo, porque a WotC não tem como pagar por todo o investimento feito no novo D&D e suas plataformas, e está sendo abertamente boicotada por todos os seus jogadores reais. Dan Ayoub sabe que a “turminha do amor” nunca se interessou verdadeiramente pelo jogo, e que se ele desejar manter seu emprego, precisa de mudanças profundas, e rápidas. Eu considero sim a possibilidade de que Melf's Guide to Greyhawk seja mais um “produto isca” para tentar atrair jogadores antigos mas que na prática, serve apenas para continuar propagando a agenda woke no jogo (como ocorreu com o sofrível Dragonlance 5e). Mas levando tudo o que já aconteceu e o trabalho que Ayoub está tendo para desvincular a imagem de D&D da imagem da WotC, penso que há razões concretas para se ter (um pouco) de esperança. Para mais informações sobre o assunto, basta entrar neste PORTAL.

Aguardemos e vigiemos...

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