Saudações, guerreiros da Luz
Como mencionei no pergaminho
anterior, Dan Ayoub, novo gestor de D&D nomeado pela Hasbro, tem feitos
esforços concretos para tentar retirar o jogo do lamaçal asqueroso no qual foi
afundado nos últimos anos. Ele se desculpou publicamente com Luke Gygax pelo
tratamento vergonhoso que a WotC deu a ele e sua família, trazendo-o para a
equipe criativa de D&D junto de outros nomes lendários de peso, como Jeff
Easley, Margaret Weis e Tracy Hickman. Se algo de concreto sairá desses esforços
só o tempo poderá dizer, mas é fato que pela primeira vez em mais de 20 anos, um
gestor de D&D admitiu que estão no caminho errado e se propôs a tentar
corrigir isso.
Nesse esforço, além do aguardado Melf's
Guide to Greyhawk, que provavelmente sairá apenas em 2027, um importante
trabalho compõe a primeira fase desse esforço: Uma nova trilogia de
Dragonlance, que, ao contrário da última mais recente, se propõe a honrar o legado
do cenário, não “atualizar” a história.
Essa nova trilogia começa com o livro
War Wizard, marcado para ser lançada
já no início de agosto deste ano, e traz a história dos lendários Huma e
Magius, personagens centrais na Primeira Guerra da Lança. Para quem não os
conhece, segue um rápido resumo:
Huma Dragonbane é o arquétipo do
cavaleiro ideal: honrado, compassivo e guiado por um senso inabalável de
justiça. Diferente da maioria dos orgulhosos cavaleiros do cenário, Huma não busca glória
pessoal, mas sim proteger os inocentes e restaurar o equilíbrio em Krynn. Sua
humildade é tão marcante quanto sua bravura — ele duvida de si mesmo com
frequência, o que o torna profundamente humano, mesmo sendo lembrado como uma
lenda.
Já Magius representa o poder da mente
e da ambição disciplinada. Um mago de grande talento, ele trilha o caminho da
Alta Feitiçaria com determinação e inteligência afiada. Sua personalidade é
mais pragmática e, por vezes, sarcástica, contrastando com o idealismo de Huma.
No entanto, por trás de sua postura calculista, há lealdade genuína —
especialmente quando se trata de seu amigo cavaleiro.
Entre seus feitos mais lendários,
destaca-se a luta contra a Rainha das Trevas, Takhisis. Huma, com coragem
inabalável, empunha a lendária Dragonlance enquanto Magius contribui com sua
magia e conhecimento para enfrentar forças além da compreensão mortal. No fim,
a história de Huma e Magius não é apenas sobre batalhas épicas, mas sobre
confiança, sacrifício e o equilíbrio entre força e sabedoria. Juntos, eles
personificam a união entre espada e magia — e provam que, mesmo em um mundo
devastado pela guerra, a amizade pode ser a maior das armas.
Grandes personagens, um ótimo cenário
e uma história realmente interessante. NO ENTANTO, como qualquer jogador de
D&D que viu em primeira mão os horrores coloridos que acometeram as obras
de fantasia nos últimos anos, sou obrigado a registrar meu receio de que em um
livro focado nos dois personagens, insinuações descabidas e sem nenhuma base
possam vir a ser feitas sobre a amizade dos dois. Afinal, para os corruptos e
pútridos “servos do amor”, uma forte amizade é algo completamente impossível de
se existir sem que seja “algo mais”. No entanto, dada a importância dos
personagens e até do fato de que Huma tem uma história amorosa bastante trágica
(não darei spoilers aqui), penso que Hickman e Weis não seguirão essa linha.
Até porque a proposta dessa nova corrente é precisamente tirar esses elementos
subversivos de D&D.
Como eu disse anteriormente sobre Melf's
Guide to Greyhawk, essa é uma obra com imenso potencial para resgatar D&D do
Abismo. SE feita da forma correta. Mas mesmo assim, é justo dizer novamente que
esta é a primeira vez em mais de dez anos em que vemos um movimento que se propõe
a trazer D&D de volta ao caminho que jamais deveria ter saído. Permaneçamos
preparados e vigilantes.

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