Saudações, guerreiros da Luz
Nos últimos anos de D&D, notamos
um movimento estranho que demonizava o combate e estabelecimento de desafios no
jogo enquanto incentivava um jogo mais “interpretativo” onde os personagens
recebiam experiência mais por se expressarem e interagirem entre si do que por
cumprir objetivos, superar desafios ou, em um português mais claro, fazer algo
de útil ou minimamente arriscado dentro da aventura. O foco do jogo, que sempre
foi a superação de desafios e trabalho em equipe, foi gradativamente substituído
pela interpretação de personagens que em última instância eram meros avatares superpoderosos
de seus jogadores que não podiam ser desafiados ou afrontados.
Desnecessário expressar aqui minha
condenação desse novo modelo de jogo, que além de desvirtuar o que D&D sempre
foi, é algo extremamente tóxico para a mente de uma geração já emocionalmente
frágil. No entanto, o que me chama a atenção é a concepção atual de que em uma
aventura mais focada na superação de desafios, combate e trabalho em equipe, a
interpretação de personagens simplesmente não existe. Isso, felizmente, não é
verdade.
Curiosamente vi dias atrás um pequeno
vídeo promocional do jogo Total War: Warhammer II, em que um ator e dublador
chamado Brian Blessed interpreta o lendário Gotrek Gurnisson (um anão Matador
bastante conhecido no cenário). Como podemos ver no vídeo abaixo, a forma como
ele dá vida ao personagem é magnífica, e não estamos falando aqui de situações
forçadas para fazer o personagem “brilhar”, como pedem muitos dos jogadores
atuais de D&D, ou histórias totalmente voltadas à intepretação. Este é um
jogo de guerra, extremamente tático e brutal. E aqui vemos o equivalente a um jogador fazendo a interpretação de um personagem que gosta muito, mas que sabe que não é um avatar de si próprio. Este é o tipo de interpretação saudável que devemos incentivar.
Este exemplo simples mostra que, ao contrário do que
se tenta passar hoje, o D&D “clássico” tem um espaço muito claro para
interpretação de personagens, e esse espaço existe dentro do contexto de
sobrevivência, cumprimento de missões e superação de desafios. A interpretação não
precisa de um “espaço seguro” para se manifestar. Pelo contrário, ela se
manifesta de forma muito mais forte, orgânica e interessante no “calor da
batalha”, como vemos no memorável discurso de Aragorn à frente do Portão Negro
de Mordor.
Assim, caso esteja mestrando para
jogadores mais novos, fica minha forte recomendação de que mostrem a eles o
verdadeiro D&D. Eles interpretarão naturalmente seus personagens, e assim
como aconteceu conosco, o farão em situações muito mais verossímeis, que por consequência,
renderão muitas boas histórias para se contar no futuro.

Mas o verdadeiro de D&D, que apenas começou a existir depois de 2014, realmente tem esse objetivo de que os jogadores podem “expressar seus verdadeiros sentimentos” através dos seus avatares no jogo. E somente podem ser recompensados e sempre terem sucessos, pois o contrário é praticamente um ataque pessoal ao individuo e as liberdades do mesmo. E o melhor de tudo, nunca sofrer pelas consequências de suas escolhas, já que tudo é permitido e nada proibido, salvo valores tradicionais, que precisam ser expurgados. Afinal, só o “amor é permitido, HAHAHAHAHAHAHA
ResponderExcluirUm exemplo de interpretação, que não é, pois as pessoas estão apenas jogando com versões idealizadas de si mesmas, como foi aquele “cRássico” jogo “Dungeons & Dragqueens, com avatares como a esplendorosa “Alaska Thunderf*ck” e sues companheires “Questing Queens” vivendo aventuras coloridas na sempre vibrante cidade de “Neverdeep – A Cidade sem Fundo”. Um programa cheio de amor que é um exemplo a ser visto por crianças de todas as idades para aprender o jogo, HAHAHAHAHAHAHA
https://www.youtube.com/watch?v=khZVjQL74qE
[Isso é uma coisa que eu sempre falo, o jogo precisa ser visto e jogado como um jogo, quando isso acontece é que o pessoal começa a se soltar e a interpretar os personagens além de quererem fazer históricos pra eles. E sempre irei dizer que um dos maiores defeitos que puderam ter feito com D&D, ou qualquer RPG em geral, é tentar usar esses jogos como “ferramentas didáticas ou para avaliação psicológica”, porque muitas das bizarrices que vemos hoje é justamente por causa disso. Pensam que o jogo é uma ferramenta de comunicação ou exercício de reafirmação de identidade de gênero. Tanto que quando eu jogo brincando com meus filhos, eu sempre faço questão de que seja um jogo de tabuleiro como qualquer outro dizendo “Esses personagens aqui são como os de videogame, a diferença é que é na imaginação e no tabuleiro e vocês tem mais liberdade no controle”. Tanto que meus filhos quando brincam nunca falam “eu vou e abro o baú pra ver o que tem, mas sim “Eu uso o Hork pra ir abrir o baú”. A melhor forma de ensinar uma criança, e até mesmo adultos, é dessa forma, porque o jogador não cria o pensamento de que o personagem é uma versão externa de si próprio, coisa que se perdeu hoje em dia e virou uma loucura.]
[Esse post me lembrou de um evento ruim eu aconteceu uma vez anos atrás. Foi logo quando meu irmão tinha acabado de converter a casa que ele comprou de um vizinho nossos que estava indo embora pra transformar na “casa de jogos” dele. Que mais gente começou a vir pra jogar Warhammer ou D&D/Path, porque o local tinha praticamente virado um clube. Um dos conhecidos do jogo de D&D tinha trazido um “amigo” pra jogar com a gente, e era o jogo do nosso grupo mesmo, minha esposa, meu cunhado, meu irmão e o pessoal mais intimo mesmo, porque é a campanha de Greyhawk que rola desde 98-99 até hoje. E um dos nossos amigos que joga é o que mais se solta e entra na brincadeira quando é interpretação. Ele gosta de “falar palavras mágicas quando joga de mago, faz orações pros clérigos e busca palavras em élfico ou em anão pra falar durante o jogo (principalmente ofensas, hahaha). Tanto que nesse jogo, o Silva estava com um meio-orc bárbaro e quando entrou o turno dele num combate contra uns ogros, ele escolheu entrar em fúria com o personagem e ele falou alto “FUUUUUUUURIA” em tom agudo e todo mundo na brincadeira como sempre. Só que então o “convidado”, que estava rindo junto com todo falou “Mas que m0ng0lóde”, ai todo mundo parou de rir muito, só que o amiguinho dele viu que o cara fez m3rda e tentou dizer que todo mundo que “joga é meio doido” e tentando amenizar.
ResponderExcluirO jogo daí ficou um clima meio ruim. Eu só olhei pro Thiago e na hora percebi que ele estava pensando a mesma coisa que eu e logo ele encerrou o jogo com meu irmão porque “tinha outro compromisso”. Só que mais tarde, no grupo do whats, o Silva e esse cara começaram a trocar farpa e do nada o cara fez uma piada do Silva citando um outro jogo dele onde ele também fez algo engraçado na interpretação. Mas teve um probleminha, porque esse cara não estava no jogo nesse dia, então como ele sabia disso? Não demorou quase nada e o Thiago baniu o cara do grupo e eu fui conversar com meu irmão sobre isso. Disse na hora que o cara que convidou esse doido devia estar falando mal da gente pelas costas pelo tom da conversa no whats.
Na outra semana esse conhecido que chamou o “tóxico” foi pra jogar normal, mas ai meu irmão e meu cunhado botaram ele sentado no sofá e falaram que “quem convida é responsável pelas ações do convidado”. O cara queria sair de lá mas meu irmão o “forçou” a se sentar e junto do meu cunhado começaram a “perguntar” se ele estava falando mal da gente, só que eu e o Thiago estávamos lá pra garantir que não iam fazer uma “besteira”. A coisa foi até o ponto em que ele deu o telefone na mão do meu irmão e ele viu as mensagens que esse cara trocava com o tóxico. Não acharam nada falando mal da gente, mas meu irmão viu uma mensagem que o tóxico perguntou onde era a casa do Silva pra ir lá dar uma “lição”. Meu cunhado pegou o telefone e na hora ligou pro cara, que ficou surpreso e falou pro “valente” que “se algo acontecer com o Silva, quem vai pagar a conta vai ser tu e quem vai cobrar vai ser eu” ai o cara começou a pedir desculpas e que não queria problemas. Depois disso liberaram o cara pra ir embora, mas na hora que meu irmão foi entregar o celular do cara, ele tirou um print da conversa deles falando sobre o Silva e mandou pro meu cunhado e deu aperto que quebrou o aparelho. E meu cunhado deu um ultimo aviso falando que “Ia guardar a prova da ameaça contra o Silva e que se desse problema ele próprio iria algemar o “bonito” e levar na delegacia pra fazer BO.
Eu admito que o cara até mereceu um pouco do “carinho” que recebeu porque estava fazendo piadinha também e por querer passar endereço do Silva ainda mais ainda fingindo ser amigo na cara de pau. Mas achei um exagero quebrar o telefone dele, só que eu entendo que é como o meu cunhado disse que “precisava assustar pra não dar problema pro Silva”. Esse foi um momento, que felizmente, nunca mais se repetiu.]
Tolo demônio, que o Abismo carregue seus seguidores e seu grupo de "darkqueens". Vocês são os maiores responsáveis pela destruição do jogo, mas mesmo com toda sua sujeira e perversão, o verdadeiro espírito de D&D jamais morrerá. Os Caminhos Antigos prevalecerão, como dizia o sábio Thorek Ironbrow!
ResponderExcluir(Esse pequeno texto que você escreveu sobre o jogo precisar ser visto como um jogo, e não como “ferramentas didáticas ou para avaliação psicológica” é simplesmente perfeito. É algo que tenho defendido fortemente nos último anos. Persnagens de RPG não são avatares do jogador, são personagens. O RPG pode ser usado como uma ferramenta para desenvolvimento pessoal, MAS o faz por meio do trabalho em equipe, superação de desafios e enfrentamento de frustrações. Ele não é, e não deve ser, um instrumento de "expressão pessoal". Esse tipo de abordagem apenas deixa a pessoa mais confusa, debilitada e fragilizada.
Sobre a experiência ruim que teve, é realmente um problema. Eu já passei por algo semelhante no meu primeiro grupo, e vi como a fofoca e maldade de alguns pode destruir completamente um grupo todo. Na época, eu era jovem e infelizmente não tive a sabedoria para perceber o problema começando e lidar com ele enquanto estava pequeno, mas serviu de aprendizado. Um aprendizado ruim, mas ainda assim, um aprendizado. Por isso temos que ter cuidado com "convidados". No caso que você relatou, penso que o "amigo" mereceu o tratamento que recebeu. Esse é o tipo de mal que quanto mais toleramos, mais cresce, e depois de algum tempo, mesmo que você o corte, percebe que não há mais nada pelo o que lutar. Mas enfim, lamento pelo o que passaram, e fico feliz que tenha acabado tudo bem).
Salvo engano, em Ravenloft, as regras recomendam que o mestre seja mais duro com os jogadores que não interpretarem seus personagens de forma condizente com o contexto de cada situação!
ResponderExcluirSalve, nobre bardo. Não me lembro desse detalhe em particular, mas acho importante o mestre incentivar e ensinar os jogadores a interpretarem seus personagens. Isso é responsável pela maioria esmagadora (para não dizer todas) as situações realmente memoráveis da mesa.
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