segunda-feira, 27 de julho de 2026

A escassez como parte da diversão para magos em D&D e Old Dragon

Saudações, guerreiros da Luz.

Dias atrás, li um pergaminho muito interessante falando sobre os magos no sistema Old Dragon, e como o uso da criatividade por parte de mestres e jogadores é algo muito importante quando lidamos com magos iniciantes. É uma leitura que realmente recomendo, e pode ser feita neste PORTAL.

De qualquer forma, o pergaminho me lembrou outro que eu escrevi recentemente, falando sobre formas pelas quais eu auxiliava jogadores com magos no D&D 3e a lidar com a escassez de magias e recursos nos primeiros três níveis da classe.

Como todos sabemos, o início da vida de aventureiros para magos e feiticeiros é consideravelmente mais árduo do que para outras classes, mesmo que sejam conjuradoras. Isso é natural, e sempre fez parte da filosofia de D&D de que magos “começam fracos, mas se tornam os mais poderosos conforme avançam de nível supondo que sobrevivam”. Apesar de nunca ter jogado com magos ou feiticeiros, sempre gostei da forma “precária” como começam porque conforme evoluem, fica muito evidente como todo o esforço e sacrifício valeram à pena. Ainda assim, sempre fui solidário à dificuldade que meus jogadores tinham nesse início, especialmente até chegarem ao 3º nível, e tentava ajudar de uma forma ou outra. Sem exageros, apenas mecanismos que, se usados com criatividade e bom senso, faziam grande diferença.

Quando Pathfinder saiu, trouxe a ideia de cantrips infinitos, o que eu particularmente não gostei porque para mim banalizava a magia, tornando-a comum e frequente demais logo de início. Desnecessário dizer, quando D&D 5e copiou a ideia, mas permitiu que os cantrips ganhassem poder junto com os conjuradores, a situação ficou drasticamente pior, pois para magos de nível elevado, um mero cantrip (conjurado à vontade) podia causar de 5d8 a 5d12 de dano.

Um verdadeiro absurdo que além de destruir completamente a ideia de que magia era algo raro, especial e de difícil domínio, ainda tirava do jogador do mago a necessidade de planejar o uso de seus recursos/magias. Tanto que no grupo em que meu cunhado montou com amigos do trabalho usando D&D 5e como sistema, os jogadores de magos e feiticeiros nunca precisaram aprender a racionar magias, e por isso, mesmo depois de anos jogando, não foram capazes de usar estrategicamente suas magias ou de lidar com (as poucas) situações em que a magia não pode resolver o problema por eles. Vendo relatos em fóruns e personagens conjuradores em streamings ou aventuras em convenções, notamos que é um problema sistêmico que acomete uma geração inteira de jogadores começaram a jogar com D&D 5e. Apesar de todo o poder, não sabem jogar nem realmente se divertir com magos.

Mas voltando a tempos melhores, em D&D 3e, criei alguns pequenos mecanismos para ajudar magos/feiticeiros iniciantes a depender menos de bestas de mão e a poderem contribuir um pouco mais quando sua 1-2 magias diárias se esgotavam:

1ª opção: O mago/feiticeiro iniciante começa com 1d4+4 itens alquímicos de até 30 PO. Há uma listagem com todos os itens alquímicos oficiais neste PORTAL.

2ª Opção: O mago/feiticeiro iniciante começa com 1d4+4 pergaminhos de 1º nível.

3ª Opção: Utilizando um objeto de foco (cajado, grimório, orb...) o mago/feiticeiro iniciante pode escolher 1 cantrip que conheça e usá-lo indefinidamente, sem limite diário. este cantip (obviamente) não evoliu com o mago como ocorre em D&D 5e.

Estes mesmos recursos podem ser facilmente trazidos para Old Dragon ou mesmo AD&D, com pouquíssimas adaptações. Desta forma, o problema da escassez de magias no 1º a 2º nível é consideravelmente aliviado contanto que o conjurador saiba administrar seus recursos. Este ponto é importante tanto para preservar a essência/filosofia da classe quanto para evitar a banalização da magia e as “metralhadoras arcanas” de D&D 5e. E talvez mais importante do que tudo isso é o fato de que o jogador que conseguir lidar com esse planejamento aprenderá verdadeiramente a utilizar seu personagem, e com isso, conseguirá se divertir muito mais com ele.

4 comentários:

  1. Gronark, o Senhor do "Amor"28 de julho de 2026 às 16:09

    Escassez não existe em mundos de fantasia modernos porque são utopias comunistas cheias de “igualdade, diversidade e amor”, Caolho! Veja que todos os vilões nessas histórias modernas são sempre homens, patriarcais, capitalistas e exploradores do povo e recursos naturais. Isso também se estende ao D&D, já que agora os “avatares” dos jogadores modernos podem fazer tudo sem quase limite algum, HAHAHAHAHAHAHA

    É preciso se lembrar que é necessário que os “narradores” (mestre é uma palavra patriarcal) precisa pedir autorização para poder matar, ferir, controlar ou transformar os avatares dos jogadores. Hoje os magos podem lançar infinitos hadoukens, além de poderem lutar tão bem quanto guerreiros e poder usar armaduras. Não se esqueça que até mesmo hobbits agora podem ser mais fortes que ogros, HAHAHAHAHAHAHAHA

    Abandone esses retroclones feitos no Bananil e abrace o arco-íris de diversidade e maravilhas que é o D&D 5.5 feito por uma corporação meta-capitalista predatória das “Camadas Unidas do Abismo”. Afinal, os Bruxos da Costa ganharam 3 vezes seguidas o prêmio de “melhor e mais ética companhia do ano”, e eles realmente mereceram, já que compraram a premiação, HAHAHAHAHAHAHAHAHA

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    1. Gronark, o Senhor do "Amor"28 de julho de 2026 às 16:10

      [Eu lembro de já ter falado sobre as regras para magos que meu irmão e o Thiago usam no nosso jogo. É meio cruel, mas é como eles mesmo disseram “o mago é a carta coringa do jogo” porque a função dele não é matar inimigos ou esse tipo de coisa, mas sim “resolver problemas e encontros que outros personagens não podem fazer”. Um exemplo disso é clássico uso da magia “sono” para derrubar um ogro perigoso ou um bando de goblins que tenham emboscado o grupo ou “enfeitiçar pessoas” para conseguir informações ou causar confusão entre os inimigos.

      Eu falei sobre o Luke no ultimo post e esqueci de dizer que o Thiago e meu irmão estão mestrando uma campanha de Star Wars Saga Edition ambientado durante as Guerras Clônicas. E ontem rolou jogo, mas o engraçado é que o Thiago foi banido do servidor do Discord do Star Wars Saga Edition porque os moderadores o acharam preconceituoso porque ele não usa ferramentas de evitar eventos no jogo, aquela palhaçada de plaquinha com X porque se sente desconfortável com algo no jogo e não admite gente com fobias mandando no mestre. Ai ele explicou o porquê, que foi aquele caso que te falei tempos atrás em que ele, meu irmão e o Pedro estavam mestrando campanhas clássicas de AD&D num evento de RPG lá em Porto Alegre pra apresentar as edições e campanhas antigas. E a campanha era a “Queen of Spider” (Rainha das Aranhas) e apareceu um maluco que queria jogar mas que removessem as “aranhas” do jogo porque ele tinha aracnofobia.

      O Thiago comentou isso, e o pessoal mesmo assim criticou porque ele foi “insensível” a condição do jogador. O Pior foi os prints que ele mostrou pra gente, o cara deu a resposta, silenciou o Thiago e ai baniu pra não ouvir resposta e ganhar no argumento. Ele até mostrou o perfil do cara e o maluco se auto-intitulando “cristão”. Ai eu tive que falar, norte-americano “cristão” é anglicano/mórmon esquerdista/liberal, que é o cara que faz sinal da cruz enquanto leva gravida pra clinica de aborto. Eu falo isso porque lembrei que citei o Luke e o que fizeram com o personagem. Ai expliquei uma coisa pro Thiago e pro meu irmão que evitar o discord e entrar em contato com esses “grupos” oficiais, seja de D&D, Greyhawk, Forgotten Realms, Star Wars e etc. Porque é cheio dessa gente que pensa que é melhor que os outros. Além disso eu vejo brasileiros idolatrarem tanto retroclones de D&D americanos e ignoram o Old Dragon porque brasileiro. Ai eu falo isso em defesa do Old Dragon contra esses argumentos porque 90% dos americanos não gostam de brasileiros e não veem como iguais. Eu tento martelar isso na cabeça do meu irmão, do Thiago e do Pedro, sempre falo “esses jogadores americanos se dividem em dois tipos, o 1º é o esquerdista degenerado que ama 5.5 e tudo que a cartilha manda, e o outro lado são os grognards que não aceitam quem questione eles, e que em sua grande maioria, só consideram outros americanos como “verdadeiros jogadores de D&D”.

      Talvez eu até fale um pouco da campanha de Star Wars. Devo dizer que está bem divertida!]

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    2. Como já disse diversas vezes, verdadeiros jogadores jamais abraçarão D&D 5.5 com seu "arco-íris" de "espécies" e classes saídas de animes isekais ruins. E sim, me lembro que seus Bruxos da Costa literalmente compraram o prêmio de empresa mais ética do ano, até como forma de tentar banalizar os diversos processos de assédio que carregam em suas costos pútridas. Limitações não fazem apenas parte de boas histórias, mas da vida como um todo. Tolo é aquele que acha que pode fugir disso. Em qualquer que seja o âmbito.


      (Sobre os magos, concordo 100% com vocês. Eles não são "canhões de vidro", eles são aqueles que resolvem problemas, especialmente quando ninguém mais é capaz de fazê-lo.Lidar com a escassez de recursos prepara o mago (e seu jogador) para cumprir este papel. Por isso que os magos das aventuas de hoje são tão banais e sem criatividade. Infelizmente, retratam o estado atual do jogo e de boa parte de seu público.

      Lamento mesmo pelo o que Thiago passou, é um absurdo, que se contássemos a qualquer um há 10 anos, ninguém acreditaria. É assustador como o mundo se tornou um lugar tão mais imbecíl em tão pouco tempo. Isso me lembrou aquele episódio que contaram sobre a aventura Pokemon que participaram anos atrás, em que seu cunhado precisou abrir a câmera para mostrar que não estava sendo racista jogando como um menino negro com um parceiro que parecia um macaco (assisto muito pokemon com minha filha, mas não me recordo agora o nome deste em específico). Desnecessário comentar sobre o infeliz que queria jogar Rainha das Aranhas mas que pediu que as aranhas fossem removidas...

      Sobre os "cristãos" norte-americanos, essa é uma crítica forte que sempre fiz. Existem aqueles que realmente vivem a fé e a doutrina (independentemente se são protestantes, católicos ou ortodoxos), como vimos com casos famosos como Chuck Norris, Stalone e vários outros. Mas a maioria, como aparecem nos census de lá, são "apenas cristãos"; pessoas que basicamente lembram de Deus na hora de pedir/reclamar de algo, mas vivem conforme sua conveniência e com uma confortável flexibilidade moral. E ainda se sentem no direito de agir como se fossem superiores a outros apenas por conta do local onde nasceram (fator pelo qual não possuem absolutamente nenhum mérito).

      Também concordo no que diz sobre não valer à pena jogar ou mesmo frequentar certos âmbitos. Nos EUA temos mesmo essa divisão dos Gronards , que não aceitam nada nem ninguem fora do círculo e os dementes que respiram Critical Role, D&D 5.5 e companhia, que são extremamente tolerantes e inclusivos com tudo que não presta, mas são absurdamente hostis a qualquer coisa que não esteja de acordo com a cartilha que seguem. Simplesmente não vale à pena estar perto de nenhum desses meios.

      Sobre Old Dragon, é outro ponto que não há como discordar; o sistema não é perfeito, mas é, no mínimo, tão bom quanto os melhores jogos OSR norte-americanos. No entanto, os jogadores daqui interessados em sistemas mais old school muitas vezes preferem investir em Old School Essentials e Dungeon Crawl Classics do que em Old Dragon 2.

      Sobre a campanha de Star Wars, fique à vontade para compartilhar. Os fãs do cenário certamente apreciarão uma boa história nessa mídia para variar um pouco...)

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  2. Gostei bastante das ideias. Eu joguei bastante o D&D (caixa da Grow) e todo o aprendizado era árduo. Na época não tinha material como o seu para dar essa luz. Eu jogava os personagens na dungeon e eles dependiam principalmente do que encontravam. Sua ideia é muito boa. O mago pode usar pergaminhos e outros itens que os não-magos não conseguem. A ideia então, sim, é aumentar as possibilidade de magicas com pergaminhos. Adorei sua ideia.

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