terça-feira, 18 de agosto de 2026

Hollywood: Banalização do mal e a cruzada anti-heróis

Saudações, guerreiros da Luz

Algumas vezes comentei nesse espaço minha admiração pela obra nipônica Demon Slayer. A animação, arte, personagens e cenas de luta são impecáveis, mas o que mais me chama atenção nessa história é a moral da mesma. Muzan Kibutsuji, o vilão da trama, era um ser humano doente, fraco e mesquinho, e a história mostra o quanto ele foi se degradando moralmente conforme sua enfermidade avançava. Quando ele foi “salvo” por um elixir misterioso que o transformou em uma espécie de “arqui-demônio”, ele adquiriu imenso poder, e usou isso para trazer miséria e desgraça para a vida de todos.

Seus descendentes foram amaldiçoados com uma doença terrível, que os debilitava brutalmente e os matava por volta dos vinte anos, como punição dos deuses por todo o mal que Muzan causava. Como forma de tentar destruir Muzan e barrar este mal, eles criaram a tropa dos Caçadores de Demônio. Na história narrada nos mangas e animes, o líder da tropa é Kagaya Ubuyashiki, descendente direto de Muzan e, como tal, amaldiçoado com uma doença muito pior do que a do próprio Muzan. Mas ainda assim, ele é ético, altruísta e empático. Assim como o personagem principal da série, o jovem Tanjiro Kamado, que lidou com tragédias inimagináveis, mas ainda assim, jamais perdeu o bom coração. Esta história ensina, acima de tudo, que a vida é difícil, e muitas vezes não é justa. Coisas ruins acontecem, mesmo com pessoas boas. Mas por pior que tenha sido sua vida, por mais que você tenha sofrido, nada justifica o mal. Nada justifica se transformar em um monstro apenas porque a vida não lhe deu o que você desejava ou achava que merecia.

No entanto, não é essa visão que é passada a crianças no ocidente. Dias atrás, por curiosidade assisti ao segundo trailer do novo filme Avengers Doomsday, simplesmente porque gosto muito do personagem Steve Rogers, e vi que o trailer contava a história pregressa de Victor Von Doom, o vilão da história. Para a surpresa de ninguém que acompanha histórias de HQ, a origem dele foi alterada e ele de início era bom e gentil, mas depois de perder a mãe, se transformou no mostro que é hoje, tudo por causa de trauma. Ao contrário do que acontece na cultura oriental, de vinte anos para cá, nós tivemos no ocidente um movimento muito forte de relativização e negação do mal. Se repararem bem, não existem aqui mais vilões “maus”; apenas pessoas traumatizadas que cometem atrocidades inimagináveis, mas que o fazem apenas porque alguém os fez sofrer antes. Da mesma forma, a inversão de valores se aplica também aos heróis. Os heróis, a menos que sejam mulheres masculinizadas ou membros de certas minorias intocáveis, sempre são retratados como pessoas que ou tiveram uma vida muito fácil, escondem segredos sórdidos, são completamente idiotas ou estão lutando pelo o que é certo apenas por questões de ego. Por isso, personagens como Capitão América, que são o exemplo de pessoas que vêm de um contexto precário, mas que fazem algo de bom no mundo por conta de seu forte senso de caráter, foram alvos de tantos ataques nos últimos anos. Não funcionou, a essência do personagem sobreviveu a tudo o que foi jogado contra ele, e mesmo a contragosto da companhia, ele precisou ser reinserido novamente nas histórias.

De qualquer modo, isso não apaga o fato de que no ocidente, as pessoas (e o que mais me preocupa, as crianças) são ensinadas pela mídia que o mal tem uma explicação para ser como é, e que devemos aprender a ser tolerantes. Por outro lado, o bem, o certo e o justo, nunca é aquilo que parece ser. Sim, é uma doutrinação verdadeiramente demoníaca, mas é algo que tomou conta do ocidente nas duas últimas décadas e que tem se espalhado pelo mundo todo. Mesmo hoje, que a podridão e hipocrisia da agenda Woke foi escancarada, e em que cada vez mais pessoas pedem pela volta dos verdadeiros heróis e valores perdidos, essa subversão de valores ainda tenta se infiltrar em toda parte, mesmo, por vezes, precisando se esconder um pouco mais.

Mesmo que o universo de super-heróis não seja de seu interesse, recomendo que assistam a este breve vídeo compartilhado por Gronark e outro abaixo que trata do mesmo episódio. Eles mostram como obras que supostamente abandonaram a agenda Woke ainda trazem traços perigosos dela, mesmo que de forma sutil. No âmbito do RPG, cabe a nós combater esse tipo de inversão de valores em nossas mesas e apoiar as histórias que ainda trabalham as temáticas do bem e mal sem a ideia subversiva de que bem e mal são apenas “pontos de vista”, e que heróis de verdade (entende-se aqui boas pessoas dispostas a colocar o outro em primeiro lugar) são retrógrados e piores do que os “vilões”. 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário