quarta-feira, 15 de abril de 2026

Heróis do Passado: Bruenor Battlehammer

Saudações, guerreiros da Luz

Quando falamos dos cenários clássicos de D&D, notamos uma quantidade grande de heróis e heroínas, que mesmo sem os “superpoderes” dos personagens criados em tempos contemporâneos, deixaram sua marca por meio de sangue, suor, determinação e sacrifício. Um de meus personagens favoritos nesse sentido sempre foi Bruenor Battlehammer, o mais próximo do conceito de Grande Rei dos anões que tivemos no cenário de Forgotten Realms.

Como todo personagem escrito por R.A Salvatore, Bruenor teve bons momentos, mas sempre foi brutalmente tolhido para não ofuscar Drizzt Do Urden, a criação favorita do autor, e personagem pelo qual ele nutre um apego e fascínio quase doentio. Apesar de não ter sido tão humilhado por Salvatore quanto Wulfgar, Bruenor constantemente era relegado à posição de eterno coadjuvante. Ainda assim, contra todas as expectativas, ele conseguiu deixar sua marca, adquirindo o respeito e admiração de muitos fãs.

O vídeo abaixo conta de maneira muito bem feita a história dele desde o início da saga de Drizzt até a morte honrada do personagem. Este vídeo não cobre a história da ressurreição de Bruenor para que ele volte a ajudar Drizzt (sim, como eu mencionei acima, o eterno coadjuvante), mas termina em um momento realmente bom, encerrando de forma nobre e honrada a história de um grande personagem, que só não foi maior porque seu escritor deliberadamente não permitiu.

7 comentários:

  1. Minha impressão é que Salvatore sempre se deixou influenciar pelas tendências. Ele tinha o molejo para transformar pressões externas em bons resultados, mas isso acabava comprometendo a obra que poderia ser melhor. O pobre do Wulfgar que o diga, nem morrer ele pode.

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    1. Anos atrás eu li bastante sobre os "bastidores" dos livros de Drizzt, e nessa época, mesmo respeitando Salvatore como escritor (ele é indiscutivelmente competente), fiquei perturbado com a forma como ele falava de Drizzt. Não era como se ele estivesse se projetando no personagem como muitos escritores acabam fazendo vez ou outra; ele era fascinado por Drizzt de uma forma um tanto bizzara. Tanto que se prestarmos atenção aos livros dele, notamos que tudo, inclusive o mundo, gira em torno do elfo negro. Drizzt não é apenas o protagonista, mas a peça central na vida de TODOS os personagens que o conhecem.

      O caso de Wulfgar, em resumo, foi o seguinte: Salvatore havia decidido que queria que Catti-brie ficasse com Drizzt, e por isso, começou a degradar Wulfgar sistematicamente. Depois, resolveu matá-lo, para tirá-lo do caminho. Mas os editores na época não concordaram, e o forçaram a trazer o bárbaro de volta. Contrariado, Salvatore fez com que Wulfgar fosse torturado no Abismo para voltar ainda mais decadente, usando o personagem como contraponto para mostrar o quão Drizzt era melhor em termos de alma e caráter. Algo realmente triste de se ver.

      Com Bruenor, a única "ameaça" que ele poderia trazer à atenção que Salvatore queria que ficasse totalmente em Drizzt era na questão da habilidade marcial e caráter. Assim, ele deixou sempre muito claro que Drizzt era um melhor guerreiro, e usava os estouros de Bruenor para evidenciar a calma de Drizzt.

      Em suma, o trabalho de Salvatore é repleto de personagens excelentes, que foram lamentavelmente tolhidos apenas para que Drizzt pudesse "brilhar" mais. Meu personagem favorito em seus escritos era Montolio, e por um lado, fico até grato por ele ter morrido "rápido" para que não despertasse o ciúme de Salvatore e tivesse eventualmente o tratamento que Wulfgar recebeu...

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    2. Eu sabia que Salvatore beneficiava o Drizzt, mas não reconhecia essa obsessão dele, fascinante esse estudo de caso.

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  2. Gronark, o Senhor do "Amor"16 de abril de 2026 às 11:37

    Você precisa entender que o tolo e bonachão Bruenor sempre foi uma mera “escada e acessório” do maravilhoso, imbatível, lindo e nunca maculado drow. Afinal, todos os Companheiros servem apenas para ilustrar como Drizzt é um santo vivo. Até mesmo Alustriel, Artemis Entreri, Kane e Jarlaxle amam nosso idolatrado, já que tudo em Faerun existe apenas por causa do Drizzt, HAHAHAHAHA

    Wulfgar também foi criado apenas para ressaltar a santidade de Drizzt. O bárbaro sempre foi imaturo, violento, patriarcal e tolo. Não foi Bruenor que ensinou um pouco de civilidade ao bárbaro, mas sim o drow, que espancava o jovem a todo momento para mostrar o quão superior suas artes marciais eram e encantar os leitores incautos, HAHAHAHAHAHA

    Catti-brie sempre foi destinada a ser o par romântico de Drizzt. Só ver como ela era encantada pela pele de ébano e os olhos purpuras de nosso imaculado herói desde criança. O relacionamento dela com o Wulfgar foi para mostrar a evolução da jovem como mulher ao abandonar o bárbaro tóxico e abraçar drow, que é um “homem de verdade”. Lembrando que Catti tentou de tudo para ajudar o bárbaro a superar seus traumas, sendo que para tornar Wulfgar inteiro de novo, e também saciar seus desejos carnais, a jovem tentou fazer “fuqui-fuqui” com o bárbaro, que não queria pelo fato de que ele foi “abusado” por demônios no abismo e depois do ato ver seus filhos meio-demônios serem devorados por Errtu na frente dele. Wulfgar então fez o maior pecado de todos, que foi “agredir um ser de luz”, mas não importa o trauma ou o fato de que Catti estava agindo igual as súcubos que abusaram do jovem por anos. Tudo isso apenas para ilustrar como o bárbaro era um homem fraco, patriarcal e tóxico e o quanto Drizzt era um ser de alma divina andando entre os mortais, HAHAHAHAHAHA

    No entanto, agora Drizzt, que atingiu a apoteose depois do treinamento com mestre Kane, sendo que o drow agora guerreiro, ladino, mago, ranger, monge, mestre jedi e cavaleiro de ouro. Deu lugar a sua filha, Briennelle Zaharina, que é um ser de luz ainda mais imbatível que seu pai. O próprio livro “The Finest Edge of Twilight” prova que agora é a jovem a nova ser imaculada de Faerun, que jamais será derrotada e que irá superar seu pai em tudo, afinal o trailer já começa “Eu não sou meu pai”. Uma nova era está vindo para Faeron, cheio de amor e diversidade, basta apenas olhar as imagens dos novos companheiros da filha do drow, todos “modernos e diversificados”, especialmente o mago. É o mais absoluto “amor”, HAHAHAHAHAHAHAHA

    https://static.wikia.nocookie.net/forgottenrealms/images/a/ac/BatBB_characters.jpg/revision/latest?cb=20251020040350

    https://www.youtube.com/shorts/cU29Uz4ODA4

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    1. Gronark, o Senhor do "Amor"16 de abril de 2026 às 11:38

      [Pra começar, quem fez o trailer do livro deveria ser despedido ou sofrer uma repreensão bem forte, já que botaram um cara pra narrar a filha do Drizzt e não uma garota que seria mais condizente.

      O pobre Bruennor foi oque menos sofreu depois do Regis, mas o coitado, mesmo morto, e nas portas dos salões de Moradin, abandonar seu descanso merecido e voltar para Faerun e ser novamente um coadjuvante na história do drow porque o Salvatore não consegue criar personagens de suporte bom para o Drizzt. A única coisa que o autor precisava fazer para evitar isso era fazer aquela garota elfa que o Drizzt salvou no massacre drow crescer, virar uma antagonista poderosa a ponto de quase superar o drow, mas ver que ele realmente era uma boa pessoa e os dois se relacionarem e terem um pouco de paz no bosque do Montolio. Ai poderia haver uma passagem de tempo e um filho(a) ou neto(a) do Wulfgar com a Catti aparecer e o Drizzt treinar o jovem.

      Um personagem que foi mais próximo do Drizzt na campanha que eu jogo foi o corsário elfo srukhari (o nosso equivalente dos Dark Elves de Warhammer Fantasy) Rhaen’nar Vento-Sangrento.

      https://static.wikia.nocookie.net/teenwolffanon/images/e/e1/Garzalk.png/revision/latest?cb=20210304073058

      Ele começou como um npc inimigo do grupo e especialmente da Arawynn (a filha paladina do Rhorvals e da Verhanna), mas os dois tiveram que unir forças quando ambos ficaram presos numa ilha, e daí ela curou o elfo e “amoleceu” o coração do srukhari e eu assumi o personagem. O engraçado é que eu meio que me inspirei um pouco no Drizzt, na ideia de alguém bom criado em um ambiente completamente ruim e que usava duas cimitarras/sabres. Mas a diferença é que sendo um pouco mais “realista”, já que o Rhaen’nar é alguém que aprendeu a ser duro e cruel quando preciso, o clássico “bem maculado”. Ainda mais que ele não teve um “Zaknafein” pra mostrar outro caminho, mas sim o Krakenlord, Lokhir Vento Sangrento (praticamente o Lokhir do Warhammer) e a filha dele Nijjarah Vento Sangrento (Que é uma “Vierna Do'Urden” levemente menos maligna). Tanto que o personagem até hoje é alguém “caótico e neutro” quase bom, já que o personagem era alguém fingia e tentava ser mal, mas que lá no fundo a consciência dele lutava pra manter uma bondade inerente dele.

      A relação dele com a Arawynn era engraçada porque era estilo “cão e gato”, que se gostavam, mas viviam brigando por terem visões de mundo diferentes. A paladina acreditava na bondade, que qualquer um poderia ser perdoado se buscasse a redenção e que pessoas boas deveriam lutar até mesmo por aqueles que não entendiam e a julgassem devido a ser filha do Rhorvals. Já o Rhaen’nar via que o mundo era dividido entre “tubarões e peixes” e que para proteger as pessoas de quem gostava e a si mesmo era necessário eliminar e brutalizar qualquer um que fosse uma ameaça.

      No fim Rhaen’nar e a Arawynn se casaram e o corsário ganhou o título de Principe Consorte e líder da Marinha de Ulthuan. Mas mesmo ele se vestindo como um elfo prateado/dourado ele ainda age como um elfo srukhari quando alguém ameaça aqueles que ele ama. E uma característica que difere bem ele do Drizzt é que Rhaen’nar não sente vergonha nenhuma de ser um srukhari e normalmente fala quando derrota algum pirata que “O Sangue é para Khaine e a carne é para Sashelas (que os srukhari reverenciam como um deus caótico e neutro e veem como uma baleia-assassina).

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    2. Vil demônio, lendo suas palavras agora ficou muito claro para mim que muitos dos devaneios obsessivos de Salvatore vieram de seus sussurros profanos. Apenas uma mente doentia como a sua poderia tramar tamanha indignidade para Wulfgar! Mas se engana se acha que Briennelle irá ocupar o lugar de Drizzt. As pessoas não irão aceitar, assim como não aceitaram a nova trilogia "moderna" de Dragonlance ou o último grupo de patetas coloridos que a WotC tentou empurrar. E digo mais: O próprio Salvatore jamais deixaria alguém roubar os holofotes de Drizzt.

      (Confordo com você, todos envolvidos com esse projeto de Briennelle deveriam ser punidos. E concordo também que de todos, Bruenor foi provavelmente o que menos sofreu nas mãos de Salvatore ao lado de Regis. Isso porque eles não eram uma ameaça para o lado "lindo" de Drizzt. Mas Wulfgar era, e quando não foi permitido matar o personagem como queria, fez questão de torturá-lo e denegri-lo da forma mais abjeta possível. Por isso, sempre digo para mim mesmo: Gostaria muito de ler mais sobre Montolio, mas graças a Deus ele morreu.

      Mas como bem disse, nem na morte Bruenor e Wulfgar conseguiram descansar, já que foram literalmente arrancados dos reuinos de seus deuses para lustrar as botas de Drizzt. Como Mielikki fez isso, por que Tempus e Moradin permitiram, são mistérios que jamais serão resolvidos. Mas esse é o destino de todo coadjuvante... servir ao personagem principal.

      Outro ponto em que concordo é que a história de Drizzt teria sido muito bonita se ele se casasse com aquela pequena elfa que salvou dos Drow na época em que treinava com Zaknafein depois que ela crescesse. Aquilo abriria portas para histórias realmente boas. Mas Catti Brie não podia ficar com Wulfgar, já que na visão doentia de Salvatore, todas as mulheres do mundo devem ser apaixonadas por Drizzt. De qualquer forma, foi uma pena. Era um bom escritor, com ótimos personagens que poderiam muito bem ter crescido e ser os donos de suas próprias sagas. Mas a obsessão doentia falou (muito) mais alto.

      Sobre Rhaen’nar Vento-Sangrento, o que o torna um bom personagem, além de seus qualidades e defeitos, é a coerência. Me lembro que na segunda trilogia de Salvatore, quando ele contou a infância de Drizzt, em um momento Drizzt recebera a honra de "ter intimidades" com uma clériga drow, mas recusou dizendo que "não a amava". Em momento algum aquele conceito foi mostrado a ele em Menzoberranzan, mas ele falava como se fosse algo extremamente natural. No caso de Rhaen’nar, fica bem claro que o mundo não gira em torno dele, e isso é outra marca de uma boa história com um bom personagem. Algo que Salvatore simplesmente não consegue entender. Infelizmente...)

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